Menstruação irregular (desregulada): Principais causas e quando procurar auxílio médico


Menstruação irregular

Autora: Dra. Nilka Donadio
Médica ginecologista



É comum que a duração do ciclo menstrual tenha uma pequena variação de mês para mês. Essa ocorrência pode estar associada a diversos fatores naturais e habituais, que mudam a duração do ciclo menstrual, mas que não representam uma doença que precise de tratamento. Exemplo disso seria o período de dois anos após a primeira menstruação, que na maioria das vezes cursa com uma grande irregularidade menstrual, até que ocorra a maturação completa do eixo que controla os ovários da Adolescente. 

Mas esse sintoma também pode indicar complicações mais sérias, como síndrome dos ovários policísticos, disfunção da tireoide, pólipos, miomas uterinos, entre outros. Investigar a causa da menstruação irregular é fundamental para iniciar possíveis tratamentos necessários. 

 

Menstruação irregular é normal? 

O ciclo menstrual é calculado a partir do primeiro dia de uma menstruação até o primeiro dia da próxima menstruação. Nem sempre a duração é a mesma, podendo variar a cada ciclo. 

É considerado normal o ciclo que dura de 21 a 35 dias. O ciclo é divido em duas fases: a folicular e a lútea

A fase folicular se inicia no primeiro dia da menstruação e termina com a ovulação. Neste momento, o folículo (estrutura do ovário onde o óvulo se desenvolve), cresce até se romper, ocasionando a liberação do óvulo, evento conhecido como ovulação. Este costuma ser o período mais variável entre as mulheres durando de 7 a 21 dias. 

Já a fase lútea dura em média 14 dias e é caracterizada pelo período em que o corpo lúteo (estrutura do ovário que produz progesterona) mantém o endométrio, que é o revestimento interno do útero, esperando que um embrião implante. Caso isso não ocorra, o corpo lúteo regride, a produção de progesterona diminui ocorrendo assim a menstruação. 

 

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Possíveis causas da menstruação irregular 

Existem diversas causas associadas a menstruação irregular. Dentre as mais comuns podemos citar os fatores hormonais, caracterizados pela disfunção da tireoide, prolactina, ovário policístico com ciclos anovulatórios, uso de contraceptivos, falência ovariana entre outros. Fatores anatômicos, como mioma, pólipo, adenomiose, também causam a irregularidade. 

 

Quantos dias dura um ciclo menstrual irregular? 

Os ciclos menstruais que duram menos de 21 dias ou mais do que 35 dias, são considerados anormais. 


Quem tem a menstruação irregular pode engravidar? 

A irregularidade menstrual habitualmente está associada a ciclos sem ovulação. Então é frequente que estas mulheres tenham mais dificuldade para engravidar, sim! 

 

Qual o tratamento adequado para menstruações irregulares  

Para se tratar adequadamente a irregularidade menstrual, deve-se pesquisar o motivo destas alterações, e para isso, a paciente deve consultar o seu médico, que será o responsável por solicitar todos os exames diagnósticos necessários.  

Os tratamentos podem variar, dependendo do motivo da irregularidade, e se a mulher está ou não desejando engravidar no momento.  

Frente a diagnósticos de alterações anatômicas do útero ou dos ovários, como miomas, cistos, pólipos, o tratamento pode ser medicamentoso ou cirúrgico.  

Caso se trate de disfunção da tireoide ou aumento da produção da prolactina, os tratamentos propostos são a base de medicamentos para regularização destes hormônios. Em algumas pessoas, a intervenção cirúrgica dos nódulos tireoidianos suspeitos pode ser eventualmente necessária.  

Já em casos de ovários policísticos (SOP), que é causa mais comum de ciclo irregular e infertilidade feminina, algumas estratégias podem auxiliar no retorno da ovulação, como realizar exercícios físicos e manter o peso corporal adequado.  

Para mulheres que já apresentam um peso corporal adequado, mas não ovulam, prescreve-se geralmente os chamados indutores da ovulação, que são medicamentos orais, tomados entre 3º ao 7º dia do ciclo, que fazem com que a mulher volte a ovular regularmente. A resposta a estes medicamentos deve ser acompanhada por ultrassom ou dosagens hormonais de estradiol e progesterona.  

Se os indutores da ovulação não forem suficientes, pode ser necessário o uso de medicamentos injetáveis, denominados gonadotrofinas, que também precisam obrigatoriamente de controle de ultrassom para analisar e acompanhar a resposta dos ovários, mas também para se evitar gestações múltiplas, que podem ocorrer frente a respostas exageradas dos ovários, com desenvolvimento de múltiplos folículos.  

Já aquelas mulheres que não desejam engravidar, estas podem fazer uso de anticoncepcional oral, que além de regularizar o ciclo, reduz a acne, a oleosidade da pele e o aumento dos pelos, que habitualmente são outros sintomas associados à síndrome dos ovários policísticos.  

Atenção deve ser dada a eventuais alterações da glicemia, que também podem estar associadas ao quadro de SOP, e devem ser tratadas para se evitar problemas graves no futuro.  

Por fim, vale lembrar, que irregularidades menstruais também podem ser sinal de falência ovariana, que é diagnosticada pela elevação do hormônio FSH, LH e diminuição do hormônio anti-mulleriano.  

Nestes casos, se houver intenção de engravidar, o tempo é crucial! A mulher deve procurar imediatamente um especialista em reprodução humana, para verificar se é possível a gestação espontânea ou se é necessário realizar um Fertilização In vitro com óvulos próprios ou doados. Agora, se não houver intenção de gravidez, a reposição hormonal pode ser a melhor opção, desde que não haja contraindicações. 
 

Como saber se o atraso menstrual é gravidez ou irregularidade na menstruação? 

Quando a mulher normalmente apresenta ciclos regulares e começa a notar atrasos menstruais, o ideal é que faça o exame de Beta HCG, que consiste em uma coleta sanguínea responsável por identificar a presença ou não de uma gestação. 

Quando procurar auxílio médico?  

Sempre que notar algo anormal na sua menstruação, um médico deve ser consultado. Outras situações que necessitam auxílio profissional são:  

• Menstruação interrompida por mais de 90 dias sem estar grávida;  

• Menstruação que ocorre em menos de 21 dias ou com mais de 35 dias;  

• Se habitualmente o ciclo for regular e se tornar irregular sem motivo aparente;  

• Na presença de dificuldades para engravidar;  

• Se notar dor ou sangramento durante as relações sexuais;  

• Apresentar cólicas menstruais que pioram ao longo dos meses;  

• Sensação de fraqueza;  

• Notar sangramento mais intenso que o normal.  

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Categoria
Saúde