Ultrassom: conheça os principais tipos e quando o exame é indicado

Ultrassom: conheça os principais tipos e quando o exame é indicado

Um dos exames de imagem mais comuns da atualidade, o ultrassom, pode ser utilizado em diversas ocasiões para analisar diferentes regiões do nosso corpo, sendo uma importante ferramenta no diagnóstico precoce e um grande aliado da medicina. 

Continue a leitura e conheça mais sobre os tipos de ultrassom, como são feitos e para que servem.

Ultrassom: o que é? 

A ultrassonografia, popularmente conhecida como “ultrassom”, é um procedimento de imagem que emprega um transdutor, dispositivo que o médico coloca sobre a superfície da pele do paciente que emite e recebe ondas sonoras, refletindo os órgãos que desejamos examinar, após o contato com o corpo humano.   

Também denominada ecografia, esse exame permite que o médico analise as imagens geradas, diagnosticando e monitorando diversas condições dos pacientes. 

Principais tipos de ultrassom:

Por conta de sua facilidade de realização e excelente acurácia diagnóstica, o ultrassom hoje é utilizado para os mais variados fins. Confira agora os principais tipos. 

Ultrassom morfológico

ultrassom morfológico é um exame de imagem capaz de analisar a formação dos órgãos do bebê durante a gestação. 

É um exame minucioso que estuda todas as partes do feto, desde membros, até o cérebro. Difere do US obstétrico, que é mais geral e visa acompanhar o crescimento do bebê ao longo da gestação. 
   
Trata-se de um procedimento simples e indolor que, solicitado para o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento do bebê.

Quando realizado no período correto, possibilita o rastreio precoce de síndromes genéticas e malformações fetais, como deformações na coluna vertebral e cerebral.  

Ultrassom obstétrico

O ultrassom obstétrico é o exame de rotina mais comum do pré-natal. Indolor, seguro (não usa radiação) e não invasivo, ele é feito no primeiro trimestre para confirmar a gestação e a idade gestacional.  

Nos trimestres seguintes, ele continua monitorando o desenvolvimento, avaliando o peso estimado, o tamanho do feto, a posição do bebê no útero, a quantidade de líquido amniótico e a maturidade da placenta. 

A grande diferença deste exame para o morfológico está no foco da análise. Enquanto o morfológico investiga a estrutura (formação dos órgãos), o obstétrico monitora a evolução geral (se o bebê está crescendo conforme o esperado para aquela semana).  
 
Por ser mais simples e rápido, o obstétrico pode ser realizado várias vezes ao longo da gravidez para verificar a vitalidade fetal e os batimentos cardíacos, sem a necessidade do detalhamento anatômico profundo do exame morfológico. 

Ultrassom 3D 

A ultrassonografia tridimensional, também conhecida como ultrassom 3D, é um exame que pode ser realizado durante o pré-natal, pode ser realizado durante toda a gestação, mas geralmente entre a 26ª e a 30ª semana.   
 
Esse tipo de ultrassom permite uma avaliação mais detalhada do bebê, possibilitando melhor visão dos traços faciais do feto, além de ser capaz de detectar potenciais alterações com maior facilidade.   

O US 3D é mais utilizado em exames obstétricos e para avaliação de malformações do sistema reprodutivo feminino, contudo pode ser realizado com outros fins, como a volumetria de órgãos. 

Ultrassom transvaginal 

Visa avaliar os órgãos pélvicos femininos, como bexiga, útero, ovários e intestino. Também pode identificar cistos, infecções e suspeita de câncer nessas regiões.   
 
É especialmente recomendado quando há dores pélvicas, alterações nos ciclos menstruais e no acompanhamento do início de gravidez. 

Ultrassom abdominal

É indicado na investigação de sintomas ou suspeitas relacionadas à região do abdome. Para isso, existem três categorias de exame: superior, inferior e total.   

  • Superior: tem a finalidade de observar os órgãos posicionados na porção superior do abdome, incluindo a região próxima ao tórax. Utilizado para avaliação do fígado, vesícula, baço, rins e pâncreas, além da veia cava inferior, que conduz o sangue do abdome e das extremidades inferiores ao coração, e a artéria aorta, a maior artéria do corpo humano, responsável por transportar sangue oxigenado para todas as áreas do organismo.   
  • Inferior (ou ultrassom pélvico): direcionado à investigação dos órgãos relacionados aos sistemas urinário e reprodutivo. Nos homens, esse exame é capaz de analisar bexiga, vesículas seminais, ou seja, parte do líquido que compõe o sêmen, e a próstata. Já para as mulheres, o ultrassom abdominal inferior analisa bexiga, útero e ovários. 
  • Total: quando uma avaliação mais abrangente do abdome é necessária, permitindo a análise de órgãos como pâncreas e retroperitônio, localizado atrás da cavidade abdominal, onde podem existir tumores, além dos rins e vias urinárias. 

Ultrassom da tireoide 

O ultrassom de tireoide é usado para diagnosticar diversas condições que afetam a glândula tireoide, que fica localizada na parte da frente do pescoço, como nódulos da tireoide, que podem ser caracterizados como benignos ou suspeitos de malignidade, além de cistos e outras alterações no parênquima da glândula.   

Geralmente, é solicitado quando há sintomas e/ou sinais que indiquem alteração na da glândula, como aumento, assimetrias, dor na região do pescoço, alterações hormonais, entre outras possibilidades.   

Ultrassom das mamas 

O ultrassom das mamas é um exame de imagem não invasivo realizado para detectar alterações mamárias como nódulos, cistos, espessamento do tecido mamário, entre outras condições.  

Geralmente é o exame inicial nas mulheres jovens, e um exame complementar em mulheres maduras. Por isso em pacientes acima de 35-40 anos, caso tenham sido solicitadas mamografia e a US, a mamografia deve ser feita antes da US.  

Importantíssimo ressaltar que a paciente deve sempre trazer os exames anteriores e a mamografia para análises comparativas.  

Ultrassom com doppler 

A única diferença do ultrassom com doppler para o ultrassom convencional, é que com ele é possível analisar a circulação do fluxo de sangue no corpo, tanto nos vasos sanguíneos periféricos (sistema vascular periférico), como nos órgãos (fígado, coração, rins, etc).   

Esse tipo de exame é importante para identificar anormalidades nos vasos sanguíneos, que podem incluir tromboses, varizes e aneurismas.

Durante a gravidez, o ultrassom com doppler também pode ser usado para medir o fluxo sanguíneo materno, materno/fetal e fetal.  

Como o exame é feito?

O paciente é posicionado na maca, e a área do corpo a ser examinada pelo ultrassom deve estar livre de tecidos ou qualquer barreira para que o aparelho, transdutor, possa estar em contato direto com a pele.   

Então, um gel é utilizado tanto no aparelho quanto no próprio paciente para evitar que tenha ar entre eles, o que prejudicaria a qualidade das imagens.

Durante o procedimento, o equipamento emite ondas sonoras que são enviadas para os tecidos, e recebe de volta os ecos dos órgãos/região insonados, gerando imagens no monitor, que são analisadas pelo médico. 

O exame pode levar de 15 a 30 minutos em média, dependendo do exame e do grau de dificuldade para a aquisição das imagens. 

Quando o exame de ultrassom é indicado? 

A ultrassonografia é um exame amplamente utilizado em praticamente todas as áreas da medicina, por ser seguro, indolor, não utilizar radiação e permitir avaliações em tempo real.

Suas indicações abrangem diferentes especialidades e faixas etárias, desde o período fetal até a vida adulta. 

Na medicina interna 

O ultrassom é fundamental para a avaliação dos órgãos abdominais, como fígado, rins, pâncreas e baço, além do estudo dos órgãos reprodutivos femininos, como útero e ovários.

Também é muito utilizado para examinar a tireoide, localizada no pescoço, responsável pelo controle do metabolismo, e para avaliar vasos sanguíneos, auxiliando no diagnóstico de alterações da circulação. 

Na obstetrícia

A ultrassonografia é indispensável no acompanhamento da gestação. Permite avaliar o desenvolvimento do feto, a placenta, o líquido amniótico e identificar precocemente possíveis alterações, sendo parte essencial do cuidado pré-natal.

Na pediatria

O exame é amplamente solicitado em recém-nascidos, bebês e crianças, justamente por ser inócuo. É utilizado para investigar dores abdominais, infecções, alterações do trato urinário, além da avaliação do crânio em recém-nascidos e de órgãos ainda em desenvolvimento. 

Na avaliação musculoesquelética

A ultrassonografia permite estudar músculos, tendões, ligamentos, cartilagens e articulações. É muito útil no diagnóstico de lesões ortopédicas, inflamações, rupturas e alterações relacionadas a esforço físico ou traumas. 

Na medicina de emergência

O ultrassom tem papel essencial por ser rápido e realizado à beira do leito. Ele auxilia na investigação de causas de dor abdominal aguda, como a apendicite, na avaliação de traumas, sangramentos internos e outras situações que exigem decisão imediata. 

Na terapia intensiva 

O exame é amplamente utilizado para monitorar pacientes graves, avaliar coração, pulmões, vasos sanguíneos e órgãos abdominais, além de orientar procedimentos médicos com maior segurança. 

O ultrassom também pode ser indicado para guiar procedimentos invasivos, como biópsias e drenagens. 

Dessa forma, a ultrassonografia é um método versátil, acessível e fundamental na prática médica, contribuindo para o diagnóstico, acompanhamento e orientação terapêutica em diversas especialidades. 

Exames complementares 

Os exames complementares da ultrassonografia dependem muito da região e condição que está sendo avaliada. Por exemplo, no caso de suspeita de câncer de mama ou rastreio para câncer de mama, o ultrassom da mama não substitui a mamografia.   
 
Vale ressaltar que o ultrassom utiliza ondas sonoras, que encontram barreiras naturais em estruturas ósseas ou preenchidas por ar/gases.

Por isso, quando é necessário visualizar com clareza órgãos como os pulmões, o intestino ou estruturas intracranianas (em adultos), o médico geralmente solicita exames complementares de maior penetração, como a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética. 

Autor: Dra. Cristina Chammas, radiologista