Sangramento vaginal anormal: o que pode ser e o que fazer
O sangramento vaginal fora do período menstrual pode aparecer como um sangramento mais intenso após relações sexuais ou como manchas que surgem sem motivo aparente.
Na maioria das vezes, a causa é benigna e o tratamento é simples. Mas algumas situações pedem avaliação médica com urgência.
O que é sangramento vaginal anormal?
O sangramento vaginal é qualquer saída de sangue pela vagina que não seja a menstruação regular. Ele pode variar muito em volume, cor e frequência: desde pequenas manchas rosadas ou acastanhadas até sangramentos com volume próximo ao da menstruação.
É diferente do sangramento de escape, também chamado de spotting: esse último é um sangramento de pequeno volume, geralmente com aspecto de “borra de café”, que aparece entre as menstruações e costuma durar no máximo dois ou três dias. Ele é comum em usuárias de anticoncepcionais hormonais e nem sempre indica um problema.
Já o sangramento vaginal anormal é mais intenso do que o esperado, em momentos inesperados ou acompanhado de outros sintomas como dor, cólicas ou corrimento.
6 causas de sangramento vaginal
O sangramento vaginal fora da menstruação pode ter várias origens. As mais comuns envolvem desequilíbrios hormonais, alterações estruturais no útero ou nos ovários e infecções. Veja as principais:
Desequilíbrios hormonais
As variações nos níveis de estrogênio e progesterona são uma das causas mais frequentes de sangramento de escape entre os ciclos. Podem acontecer em mulheres que iniciaram ou trocaram o método anticoncepcional, esqueceram doses da pílula, tomaram medicações que interferem na pílula (ex: antibióticos) ou estão passando por mudanças hormonais naturais, como no climatério e na perimenopausa.
O estresse intenso, o emagrecimento abrupto, o excesso de exercício físico e algumas doenças da tireoide também podem desregular os hormônios e provocar sangramentos irregulares.
Miomas uterinos
O mioma uterino é um tumor benigno que se desenvolve no músculo do útero. É uma das causas mais comuns de sangramento vaginal anormal em mulheres em idade reprodutiva.
O sangramento causado pelo mioma costuma ser mais intenso do que o normal, prolongado e pode vir acompanhado de cólicas e sensação de pressão abdominal.
O diagnóstico é feito por exame ginecológico e confirmado pelo ultrassom transvaginal. O tratamento depende do tamanho, da localização e dos sintomas, podendo variar do acompanhamento clínico ao uso de medicamentos ou cirurgia.
Cistos ovarianos
A maioria dos cistos no ovário é benigna e regride espontaneamente. Mas alguns tipos – especialmente os cistos hemorrágicos, que sangram internamente – podem causar sangramento vaginal irregular e dor pélvica.
Além destes, existem tumores de ovários que produzem hormônios e podem desregular o ciclo. O diagnóstico é feito por ultrassom transvaginal, sendo que as vezes pode ser necessário a utilização da ressonância.
Síndrome do ovário policístico (SOP)
A SOP é um desequilíbrio hormonal que interfere na ovulação regular. Sem ovulação nos momentos certos, o endométrio pode se acumular de forma irregular e descamar em momentos inesperados, causando sangramentos fora do padrão habitual.
Ciclos muito longos, muito curtos ou imprevisíveis são características comuns da condição.
Pólipos uterinos
Os pólipos endometriais são crescimentos benignos da mucosa interna do útero (endométrio). Muitas vezes são assintomáticos e descobertos por acaso em exames de rotina.
Quando causam sintomas, o sangramento vaginal irregular é o mais frequente, podendo aparecer entre os ciclos, após relações sexuais ou na pós-menopausa. O diagnóstico é feito por ultrassom transvaginal e confirmado por histeroscopia.
Infecções
Infecções no trato genital – como cervicite e infecções sexualmente transmissíveis como clamídia e gonorreia – podem causar inflamação no colo do útero e na vagina, levando a sangramentos leves, especialmente após relações sexuais.
Elas costumam vir acompanhados de corrimento com odor, coceira ou ardência. O tratamento com antibióticos específicos resolve o quadro na maioria dos casos.
Tumores genitais
Em alguns casos a presença de tumores malignos no colo uterino, endométrio e corpo uterino podem levar a sangramento frequente ou contínuo.
Qual a diferença entre menstruação intensa e sangramento vaginal anormal?
A menstruação intensa – chamada clinicamente de menorragia ou hipermenorreia – é um sangramento menstrual que ocorre na época certa do ciclo, mas em volume ou duração acima do habitual. É considerada intensa quando dura mais de 7 dias ou quando a mulher precisa trocar o absorvente com frequência menor que 2 horas.
Já o sangramento vaginal anormal é aquele que acontece fora do período menstrual esperado – entre os ciclos, após relações sexuais, na pós-menopausa ou sem nenhuma relação com o ciclo. Ele pode ser leve como um escape ou intenso como uma menstruação.
Os dois merecem atenção médica, mas por razões diferentes:
- A menstruação intensa pode indicar condições como adenomiose, miomas ou distúrbios de coagulação, e pode causar anemia pela perda crônica de sangue;
- O sangramento fora do ciclo pode indicar desde uma alteração hormonal passageira até condições que precisam de investigação mais cuidadosa, como pólipos, infecções ou, mais raramente, lesões no colo do útero e endométrio.
Em qualquer dos casos, se o padrão habitual do sangramento mudou, vale consultar o ginecologista.
Quais exames fazer para investigar o sangramento vaginal?
O ginecologista define os exames conforme o histórico clínico, os sintomas e a faixa etária da paciente. Os mais comuns na investigação do sangramento vaginal são:
- Ultrassonografia transvaginal: é o principal exame de imagem para investigar o sangramento vaginal. Avalia o útero, os ovários e o endométrio, permitindo identificar miomas, pólipos, cistos, espessamento do endométrio e sinais de SOP. É indolor, rápido e altamente informativo;
- Papanicolau: exame que avalia as células do colo do útero. Detecta alterações celulares que podem estar relacionadas ao sangramento;
- Teste de DNA do HPV (papilomavírus humano): teste que quando positivo ajuda a diagnosticar mulheres com risco de apresentarem tumores de colo uterino;
- Beta HCG: para descartar gravidez em mulheres em idade fértil, incluindo gravidez ectópica, que pode causar sangramento nas primeiras semanas;
- Exames hormonais: dosagem de FSH, LH, estradiol, progesterona, TSH e prolactina são usados para investigar desequilíbrios hormonais como eventuais causas do sangramento irregular;
- Histeroscopia: exame que permite visualizar o interior do útero com uma câmera. É o padrão para diagnóstico definitivo de pólipos e outras alterações da cavidade uterina;
- Exames para ISTs: swab vaginal e cervical para identificar infecções sexualmente transmissíveis quando há suspeita clínica.
Para consultar preços, localizar a unidade da Alta Diagnósticos mais próxima e agendar seus exames, basta clicar para fazer o agendamento.
Fonte: Dra. Adriana Bittencourt Campaner, ginecologista



