Lecanemabe: como o novo medicamento de Alzheimer age

Lecanemabe: como o novo medicamento de Alzheimer age

O lecanemabe representa um avanço significativo no tratamento do Alzheimer. O Brasil passa a contar com mais um medicamento capaz de agir na causa da doença – e não apenas nos sintomas – desacelerando a progressão do declínio cognitivo e funcional em pacientes nas fases iniciais.

Comercializado no Brasil com o nome Leqembi, o medicamento foi aprovado pela Anvisa em dezembro de 2025 para pacientes adultos com diagnóstico de comprometimento cognitivo leve ou demência leve por Alzheimer. Por enquanto, está disponível apenas na rede particular.

O que é lecanemabe?

O lecanemabe é um anticorpo monoclonal humanizado – uma proteína desenvolvida em laboratório que imita e potencializa a resposta do sistema imunológico.

Ele foi desenvolvido especificamente para identificar e eliminar as protofibrilas solúveis de beta-amiloide, a forma mais tóxica das placas que se acumulam no cérebro de pacientes com Alzheimer e que estão diretamente ligadas à destruição dos
neurônios.

O que diferencia o lecanemabe dos tratamentos anteriores é exatamente isso: ele não trata apenas os sintomas da doença. Ele age na causa – removendo as placas antes que se depositem de forma permanente, interrompendo um dos principais processos responsáveis pela progressão do Alzheimer.

É indicado para adultos com doença de Alzheimer sintomática inicial – incluindo comprometimento cognitivo leve (CCL) ou demência leve – com confirmação da presença de placas amiloides cerebrais, identificadas por exame de imagem (PET amiloide) ou por análise do líquido cefalorraquidiano. O perfil genético do paciente também é avaliado antes de iniciar o tratamento.

Como o novo medicamento contra o Alzheimer age no paciente?

Para entender como o lecanemabe age, é preciso entender o que acontece no cérebro de quem tem Alzheimer.

Na doença de Alzheimer, uma proteína chamada beta-amiloide começa a se acumular no cérebro. Primeiro, ela forma pequenas estruturas solúveis chamadas protofibrilas – que já são tóxicas para os neurônios. Com o tempo, essas protofibrilas se juntam e formam placas insolúveis, depósitos rígidos que se instalam entre os neurônios e comprometem a comunicação entre eles.

O lecanemabe age nesse processo antes que ele avance demais. Como um anticorpo, ele se liga seletivamente às protofibrilas solúveis de beta-amiloide e sinaliza ao sistema imunológico para eliminá-las.

O resultado é a remoção das placas amiloides do cérebro – um processo confirmado pelos exames de imagem realizados durante o estudo CLARITY AD, o maior ensaio clínico já conduzido com o medicamento, publicado no The New England Journal of Medicine.

Com menos amiloide no cérebro, a progressão da doença desacelera. No CLARITY AD – estudo de fase 3 com 1.795 pacientes – o lecanemabe reduziu o declínio cognitivo e funcional em 27% ao longo de 18 meses em comparação com o placebo, medido pela escala CDR-SB, padrão internacional para avaliação da progressão do Alzheimer.

Trata-se, portanto, de uma terapia modificadora da doença – não apenas paliativa. Ela não cura o Alzheimer, mas muda o curso da progressão, preservando por mais tempo a autonomia e a qualidade de vida do paciente.

Como o lecanemabe é usado?

O lecanemabe é administrado por infusão intravenosa – diretamente na veia, em ambiente hospitalar ou clínico supervisionado. Não é uma injeção subcutânea nem um comprimido: exige acesso venoso e monitoramento durante a aplicação.

O esquema de tratamento é o seguinte:

  • Frequência: uma infusão a cada duas semanas;
  • Duração: o tratamento é contínuo, com reavaliações clínicas e radiológicas periódicas. A fase inicial de tratamento ativo pode chegar a 18 meses, seguida de dose de manutenção mensal;
  • Monitoramento: ao longo do tratamento, são realizadas ressonâncias magnéticas periódicas para identificar precocemente eventuais alterações cerebrais relacionadas ao medicamento – especialmente as chamadas ARIA (anomalias de imagem relacionadas à amiloide).

Antes de iniciar o tratamento, é obrigatória a confirmação da presença de placas amiloides no cérebro – por PET amiloide ou por análise do líquido cefalorraquidiano – e a avaliação do perfil genético do paciente, especialmente em relação ao gene ApoE ε4.

O tratamento é indicado apenas para pacientes em fases iniciais da doença. Em estágios mais avançados, quando o dano neuronal já é extenso, o medicamento não é eficaz.

Efeitos colaterais

Como todo medicamento, o lecanemabe pode causar efeitos adversos. Os mais importantes são as ARIA – anomalias de imagem relacionadas à amiloide – que são alterações no cérebro detectáveis por ressonância magnética e que decorrem do processo de remoção das placas amiloides

Existem dois tipos de ARIA:

  • ARIA-E: acúmulo de líquido (edema) em regiões do cérebro. Ocorreu em 12,6% dos pacientes no estudo CLARITY AD;
  • ARIA-H: pequenos sangramentos ou depósitos de hemossiderina no cérebro. Ocorreu em 17,3% dos pacientes.

Na maioria dos casos, as ARIA foram leves a moderadas nas imagens de ressonância e não causaram sintomas. Quando sintomáticas, as manifestações mais comuns foram dor de cabeça, confusão mental, tontura, alterações visuais e, raramente, déficits neurológicos mais significativos. A maior parte dos episódios aconteceu nos primeiros 3 a 6 meses de tratamento.

O risco de ARIA é maior em portadores do gene ApoE ε4 – especialmente nos homozigotos, que carregam duas cópias do gene. Por isso, o teste genético é parte obrigatória da avaliação antes de iniciar o tratamento.

Outros efeitos adversos observados no CLARITY AD incluem:

  • Reações à infusão – como febre, calafrios, náuseas e alterações de pressão – que ocorreram em 26,4% dos pacientes durante a aplicação e são manejáveis com medicação prévia;
  • Dor de cabeça (11,1%);
  • Quedas (10,4%).

O monitoramento regular por ressonância magnética ao longo do tratamento é estruturado justamente para identificar as ARIA precocemente e ajustar a conduta médica quando necessário.

Benefícios do medicamento

O lecanemabe é um medicamento aprovado no Brasil com evidência clínica robusta de modificação do curso da doença de Alzheimer. Os principais benefícios documentados no estudo CLARITY AD são:

  • Desaceleração da progressão cognitiva e funcional em 27% ao longo de 18 meses, medida pela escala CDR-SB;
  • Redução significativa das placas amiloides no cérebro – confirmada por PET amiloide;
  • Redução dos marcadores de tau fosforilada e neuroinflamação no líquido cefalorraquidiano, indicando menor dano neuronal em andamento;
  • Benefício consistente em qualidade de vida e capacidade funcional para as atividades do dia a dia.

Os dados da extensão aberta do CLARITY AD – fase em que todos os participantes passaram a receber o medicamento após os 18 meses do estudo principal – confirmaram que os benefícios se mantêm e se ampliam com o tratamento contínuo.

Participantes que iniciaram o lecanemabe desde o início do estudo mostraram resultados superiores aos que começaram depois, reforçando que o início precoce do tratamento é decisivo.

O objetivo clínico central do lecanemabe é preservar a autonomia, a capacidade funcional e a qualidade de vida do paciente por um período maior – adiando o momento em que a doença compromete as atividades cotidianas e a independência.

Qual o preço do lecanemabe?

No momento, o Leqembi está disponível apenas na rede particular no Brasil, e o valor varia de acordo com o laboratório.

Por ser uma terapia recém-aprovada e administrada por infusão intravenosa em ambiente supervisionado, o valor envolve tanto o medicamento em si quanto a estrutura necessária para a sua aplicação.

Não há cobertura pelo SUS nem previsão de inclusão no curto prazo. A cobertura por planos de saúde deve ser avaliada caso a caso.

Onde tomar o lecanemabe?

Por ser administrado por infusão intravenosa, o lecanemabe precisa ser aplicado em ambiente clínico adequado – com monitoramento durante e após cada sessão.

O acompanhamento pelo neurologista é fundamental em todo o processo: antes do início do tratamento, durante as infusões e nas reavaliações periódicas.

A Alta Diagnósticos é o pioneiro em trazer o medicamento para o Brasil, oferecendo o tratamento a partir do Núcleo de Memória, na unidade Alta Higienópolis.

Além da unidade Alta Higienópolis, o medicamento também está disponível nas outras unidades do Alta.

Para iniciar o tratamento, é obrigatório ter o pedido médico.

O Alta Diagnósticos ainda realiza os principais exames necessários para o diagnóstico, a seleção e o monitoramento de pacientes em tratamento com lecanemabe:

  • Ressonância magnética de crânio – para avaliação basal e monitoramento das ARIA ao longo do tratamento;
  • PET amiloide – para confirmação da presença de placas amiloides, critério obrigatório para indicação do medicamento;
  • Teste genético ApoE ε4 – para avaliação do risco de ARIA e aconselhamento antes do início do tratamento.

Para consultar preços e agendar a infusão ou os exames, basta clicar no botão abaixo.

Fonte: Dr. Diogo Haddad Santos, neurologista.