Como saber se tenho alergia à vacina?

Como saber se tenho alergia à vacina?

Antes de tudo, é extremamente importante explicar que as vacinas passam por extensos testes que comprovam sua eficácia e segurança. Os eventos adversos de uma vacina são muito raros, especialmente a anafilaxia.  

Porém, algumas pessoas alérgicas devem tomar cuidado na hora de se vacinar. Pacientes com alergia a ovo podem apresentar reações adversas potencialmente perigosas caso sejam expostos a alguns imunizantes sem orientação profissional prévia.  

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O que é anafilaxia?

A anafilaxia é uma reação alérgica grave, aguda e potencialmente fatal (embora o óbito seja raro).

É uma reação de hipersensibilidade sistêmica que geralmente ocorre de forma imediata (minutos após a exposição ao agente) e pode afetar a pele (urticária, inchaço) e os sistemas respiratório, gastrointestinal e cardiovascular.

Ela é desencadeada por diversos agentes, sendo medicamentos, alimentos e picadas de insetos os mais comuns.

Quais reações alérgicas as vacinas podem causar?    

A alergia a vacinas varia de pessoa para pessoa e pode se apresentar com diferentes níveis de gravidade. Em alguns casos, os pacientes podem apresentar coceira e placas avermelhadas no corpo após a vacinação.   

Já quando se trata de um caso grave, os pacientes podem sentir também falta de ar e inchaço do rosto, da língua e mal-estar generalizado.   

Quem tem alergia a ovo pode tomar vacina?

A única vacina disponível atualmente que contém proteína do ovo capaz de desencadear uma reação alérgica é a vacina Febre Amarela.

Só um médico é capaz de definir a melhor estratégia para os alérgicos que precisam se imunizar, uma vez que indivíduos com formas graves de alergia ao ovo, como urticária e reações anafiláticas, não devem receber a vacina febre amarela.

Qualquer vacina pode dar reação?

Sim, qualquer vacina é capaz de causar reação adversa. As reações alérgicas também podem ocorrer em qualquer uma delas, mas devemos ressaltar que este é um evento extremamente raro e acomete pouquíssimas pessoas.

Vacinação em pessoas com histórico de alergias

Condições como rinite, asma, sinusite ou dermatite não são contraindicações para receber vacinas. Histórico familiar de alergia ou alergia a antibióticos comuns (como penicilina e eritromicina) não impedem a vacinação.

A atenção deve ser voltada apenas para casos onde há alergia confirmada a componentes específicos presentes na fórmula da vacina (como traços de neomicina ou polimixina, ou proteínas do ovo e gelatina), exigindo avaliação médica.

Qual grupo de pessoas é mais propenso a alergias a vacina?

De maneira geral, as pessoas com algum antecedente alérgico são mais propensas a apresentar alergia a qualquer alimento, medicação, vacina ou qualquer substância a que são expostas.

Entretanto, uma reação alérgica grave é muito rara e, portanto, ser alérgico não é contraindicação para tomar vacinas. A exceção é se você souber que é alérgico a um componente específico de uma vacina, como, por exemplo:

  • ovo no caso da vacina febre amarela;
  • látex, no caso de vacinas que contêm látex na tampa do frasco.

Quem deve ter mais atenção com eventos supostamente atribuíveis à vacinação ou imunização (ESAVI)?

Um evento supostamente atribuível à vacinação ou imunização (ESAVI) é qualquer ocorrência médica indesejada após a aplicação da vacina, não necessariamente causada por ela.

Devem ter atenção especial e buscar orientação médica prévia os indivíduos que já apresentaram reação anafilática confirmada a uma dose anterior da vacina ou a algum de seus componentes.

A ocorrência de eventos graves após a vacinação é de notificação compulsória para qualquer unidade de vacinação no Brasil, do SUS ou do sistema privado.

Este monitoramento constitui a Fase IV dos estudos clínicos de vacina, ou seja, após o seu licenciamento pela ANVISA, garantindo que os benefícios da imunização superem, de longe, os riscos.

Quem tem alergia pode tomar as vacinas contra a COVID-19?

Sim, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), pessoas com alergia respiratória, dermatite atópica ou alergia alimentar não são consideradas de risco para anafilaxia por vacinas.

Alérgicos podem e devem receber vacinas, porém é necessário tomar mais cuidado com quem já teve reações anafiláticas, e mesmo para eles existem protocolos de segurança que permitem a imunização.

Desta forma, é recomendável que pessoas com histórico de alergia grave aguardem na unidade de vacinação por 30 minutos após receberem uma vacina.

As reações mais graves acontecem nesse intervalo de tempo na maioria das vezes e elas poderão ser atendidas prontamente, caso apresentem algum sintoma de alergia grave.

Como saber se tenho alergia à vacina COVID-19?

A regra é a mesma aplicada para qualquer outro imunizante: a vacina é contraindicada apenas se você teve uma reação alérgica grave (anafilaxia) a uma dose anterior da mesma vacina ou se tem alergia confirmada a algum dos componentes da fórmula.

É importante destacar que ter alergias comuns do dia a dia — como a alimentos (ovo, leite), animais, rinite ou medicamentos — geralmente não impede a vacinação.

Nesses casos, basta informar a equipe de saúde no momento da aplicação para receber a orientação adequada, que pode incluir um tempo de observação maior no local.

Sintomas de alergia à vacina de COVID-19

Reações alérgicas verdadeiras são eventos raros e costumam ocorrer de forma imediata, geralmente nos primeiros 15 a 30 minutos após a aplicação. E isso vale para qualquer vacina, não apenas a de Covid-19.

Por isso, a recomendação padrão para todas as vacinas é aguardar no local após receber a dose. Os sinais de anafilaxia são os mesmos de qualquer reação alérgica grave:

  • Dificuldade para respirar ou sensação de “garganta fechada”;
  • Inchaço repentino no rosto, boca ou língua;
  • Urticária (manchas vermelhas e coceira intensa) espalhada pelo corpo;
  • Batimentos cardíacos acelerados ou queda de pressão (desmaio).

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Fonte: Dra. Maria Isabel de Moraes-Pinto, Infectopediatra